As relevâncias do conhecimento


“Todos os homens tendem, por natureza, ao saber”.

Aristóteles

O ser humano tem sede de conhecimento. Conhecer sobre a natureza, sobre o mundo, sobre os seres, sobre si mesmo. A pergunta “quem sou” nos leva a uma jornada fabulosa no mundo de si mesmo. Não somente no aspecto particular, individual, mas na perspectiva da espécie. Quem é o ser humano capaz de pensar, de sentir, de se emocionar, de refletir, de amar, de contemplar o belo?

Será o ser humano um conjunto de neurônios interligados em trilhões de possibilidades a manifestarem, na consciência e na mente, o mais alto grau de desenvolvimento que um ser pode atingir na atualidade planetária? Ou será produto de algo ainda não visto ou concebido no meio científico de forma mais contundente e palpável? Aliás, como falar de palpável quando se fala em mente, consciência ou pensamento?

Certamente a construção do conhecimento leva o homem a uma viagem muito mais importante do que descobrir o universo na imensidão do espaço. Há ainda um espaço em nós mesmos pedindo o conhecimento. O conheça-te a ti mesmo, sua própria constituição, sua própria essência. Se é que há essa essência, há a possibilidade de conhecê-la (GROF,1987).

Alves (2005) nos fala que o conhecimento científico comprovado nos dá a sustentação do solo firme. Que nele podemos caminhar de forma segura. Mas que é justamente nas perguntas que fazemos que encontramos as possibilidades do vôo a lugares ainda não acessados. As perguntas nos fazem ir mais além e as pesquisas nos fazem chegar às regiões para onde as perguntas já nos haviam transportado.

Pensamos que toda pesquisa que possibilite ampliar os horizontes do conhecimento de quem é o ser humano é digna e, por isso mesmo, valiosa e merecedora de ser conduzida.

Platão (1990), na Grécia antiga, conta-nos o mito da caverna, para dizer do conhecimento, em uma metáfora onde os homens viviam presos a grilhões, dentro de uma caverna. Ali, somente podiam ver nas paredes da caverna as sombras advindas de uma abertura. Todas as formas que apareciam projetadas na parede da caverna, os homens que desde sempre estiveram na caverna, tinham-nas como as coisas mesmas. As sombras de animais eram tidas como os próprios animais, as sombras das árvores como as próprias árvores. Este era o mundo conhecido daqueles que ali estavam acorrentados. Porém, houve um dos homens que não se contentou em permanecer ali, algemado. Questionou aquele mundo e, a partir daí, buscou encontrar uma forma de libertar-se dos grilhões. Tanto se esforçou que conseguiu. Livre dos grilhões, então empreendeu uma jornada rumo à saída da caverna. A subida foi árdua e, quando chegou à superfície, deparou-se com uma luz muito intensa que, em um primeiro momento, o cegou. Nunca havia visto o sol, pois sempre estivera acostumado às sombras. Passados alguns momentos, seus olhos foram se acostumando e pouco a pouco ele pôde vislumbrar um mundo desconhecido de formas e cores. Ali, na superfície, pode conhecer aquilo que antes somente conhecia por sombras. Ficou maravilhado e quis voltar para contar a descoberta aos outros que ainda estavam agrilhoados. Empreendeu a jornada de volta e, ao chegar, contou o que vira. Os outros o nomearam de insano, afirmando não existir outro mundo além da caverna, além daquele que conheciam. Juntaram-se e então tiraram sua vida.

O mito da caverna nos mostra, de forma metafórica, a conquista do conhecimento. O libertar-se dos paradigmas existentes e a busca da essência das coisas que envolve, frequentemente, o libertar-se dos grilhões dos pré-conceitos estabelecidos na forma de pensar e de ver o mundo, em uma jornada, que nem sempre é fácil da conquista do conhecimento, mas que tem sido empreendida por diversos pesquisadores que estão a caminho na jornada da ampliação do conhecimento. É exatamente a ousadia de se empreender essa jornada, que propicia a quebra de paradigmas que movimentam o mundo (KUHN,2003).